quinta-feira, janeiro 02, 2014

Mǎ Nián (馬年)

                                   


- O que eu estou te dizendo é que o tempo é só uma marca...
Pra um ser humano, meu; O tempo é só um jeito de contar.
Somos dois. Anos. De lugares, de momentos, em ocasiões, em sequências de eventos em espaços e tempos.
Na China não é ano novo.
Nós não somos dois anos.
Todas as contagens estão certas e todas as contagens estão erradas.
- Isso porquê o Tempo só é, cara. Não tem muito "o quê".
Eu e ela sabemos disso.
O ano do Cavalo é o próximo; No fim de janeiro.
Ainda é o fim da surpresa; Da Serpente.
A mudança e o movimento em fogo chegam já.
- Mês que vem é Ano Novo, camaradinha...
Prefiro seguir o calendário do Ser/Estar ao invés do Quando.
Neste exato momento é Ano Novo, e no seguinte, também é.
- Então se me dá licença, vou tirar umas coisas do papel, meu caro.
...a Cavalo, meu caro. Que daqui a pouco é ano que vem.
Somos Um e sabemos disso.

quarta-feira, agosto 14, 2013

Si vis pacem, para bellum


Eu só olho.
Apenas observo e faço um tanto esforço para que minha mente interprete a informação que chega.
Então eu olho. E não falo nada.
Também não permito coação em algo tão delicado.
No meu baita esforço de entender, tão corriqueiro e natural, lembro do dela; Da força e do esforço. Admiro. Ora, Amar = Admiração.
Me sinto sortudo, ou predestinado. Grato.
E continuo. Observo e deixo falar.
Ela me ensinou: "- Minha mãe me dizia: "- Cuidado com pessoas quietinhas."
E ela me mostrava: "- Olha, presta atenção, depois você fala."
Então eu olho. Absorvi a experiência de quem sabe o que diz porquê já esteve lá.
Frágil, delicada. Forte; Forte & Doce.
Reafirma em atitude o que tanto me reafirmou em palavra. E atitude também.
Eu admiro e sigo o exemplo afinal seria burro se não o seguisse.
Aí eu só olho. Observo, faço força e entendo. Entendo que sou forte. Forte & Doce, e mais forte do que doce se necessário.
Ouço e deixo falar e então que os pés se metem pelas mãos e eu rio.
É divertido. Inegável que não seja.
A destreza do caminhar dela me inspira e eu ando firme. Lembrando dela apenas digo: "- Eu avisei."
Dentro de mim damos risada por dentro.
"Não com nossa família."
É o que pensamos em nossos lábios sorridentes.
"Não com a nossa família."
É assim que eu falo.



terça-feira, maio 07, 2013

Bico de Pito ?



“ ...Soberana de seu lar, uma mulher quando faz café pela manhã tem a persuasão natural sobre o aroma. Faz que ele invada cômodo à cômodo da casa como se estivesse ela ali. Suavemente acordando seus queridos para o novo dia.
Hoje eu acordei apesar de não dormir. Algo que me acostumei ao longo de algum tempo.
Não podia dormir, tinha que estar ciente. Consciente. Devo protegê-la.
Não posso dormir.
Hoje eu acordei. Fui chamado pelo cheiro de café e o alvorecer de um novo dia em que vou fincar novos alicerces do meu antigo edifício.
Reconstrução é necessária e nesse caso pode não ser suficiente.
Meu  órgão interpretador  tridimensional, i.e., meu cérebro pedia pelo que costumávamos chamar “bico de pito”. Um bico no café preto forte para chamar aquele filtro vermelho da manhã, onde estaria pronto para restabelecer as conexões e lembrar-me de quem sou no mundo. Mas mais que isso pedia também pelo prazer de me lembrar com costumávamos tomar nosso  “bico de pito” pela manhã ante ao grande.
Então fumo. Filtro vermelho.  E sem querer, porém exatamente por minha vontade ao som da música de nosso lar. O Lar de Maravilhas.
Na nossa Casa das Máquinas.
Por que tudo é complicado, tudo é eletrônico ela me perguntava.
Eu não sabia. Só sabia que era.
Sinto o exato cheiro do seu café.
Acordada antes de mim. Para mim.
Eu escrevo. Sobre ela. Sobre Nós Dois. Um. Porquê li. Dela. Sobre mim. Nós Dois. Um.
Frente ao sono que ainda não veio.
“Bico de pito, Amor ?”