terça-feira, maio 07, 2013

Bico de Pito ?



“ ...Soberana de seu lar, uma mulher quando faz café pela manhã tem a persuasão natural sobre o aroma. Faz que ele invada cômodo à cômodo da casa como se estivesse ela ali. Suavemente acordando seus queridos para o novo dia.
Hoje eu acordei apesar de não dormir. Algo que me acostumei ao longo de algum tempo.
Não podia dormir, tinha que estar ciente. Consciente. Devo protegê-la.
Não posso dormir.
Hoje eu acordei. Fui chamado pelo cheiro de café e o alvorecer de um novo dia em que vou fincar novos alicerces do meu antigo edifício.
Reconstrução é necessária e nesse caso pode não ser suficiente.
Meu  órgão interpretador  tridimensional, i.e., meu cérebro pedia pelo que costumávamos chamar “bico de pito”. Um bico no café preto forte para chamar aquele filtro vermelho da manhã, onde estaria pronto para restabelecer as conexões e lembrar-me de quem sou no mundo. Mas mais que isso pedia também pelo prazer de me lembrar com costumávamos tomar nosso  “bico de pito” pela manhã ante ao grande.
Então fumo. Filtro vermelho.  E sem querer, porém exatamente por minha vontade ao som da música de nosso lar. O Lar de Maravilhas.
Na nossa Casa das Máquinas.
Por que tudo é complicado, tudo é eletrônico ela me perguntava.
Eu não sabia. Só sabia que era.
Sinto o exato cheiro do seu café.
Acordada antes de mim. Para mim.
Eu escrevo. Sobre ela. Sobre Nós Dois. Um. Porquê li. Dela. Sobre mim. Nós Dois. Um.
Frente ao sono que ainda não veio.
“Bico de pito, Amor ?”

segunda-feira, abril 22, 2013

Quotidianus



“...Era Tudo. Também era o Nada.
Vinha sendo, já se fazia algum tempo, um bocado de Sim; Um tanto de Não, e uma boa parte de Talvez.
                Já era assim. Uma rotina quase que inata. Para ele havia se tornado comum.
E todo dia adentrava a portaria daquele tal hospital. Espirrava álcool gel na mão. Deixava-se acreditar nas normas e que aquele gesto gerava uma proteção para seu Amor.
Subia.
Costumeiro; Pelas escadas. Por mais que não quisesse, e não queria, sempre era notado.
Olhares o diferenciavam mais para ele era inaceitável que o fizessem. Era o seu canto. Lar provisório que foram forçados a habitar.
Ele estava em seu local; Os outros não.
Paula Miasato era o que ele dizia todos os dias para algum vigilante/recepcionista daquele conjunto de vigilantes/recepcionistas.
 Algumas vezes o mesmo. Nos últimos tempos, na maioria das vezes não. Mas 244 era o que ele ouvia. Todos os dias. Não importava de quem.
 Retirava o crachá e seguia. De costume. Era sua rotina.
Subia a rampa em busca de algo que denominava sua Mulher. Para ele era mais. Mais que isso. Sempre foi.
Agonizava, nitidamente sob os olhares alheios e não alheios também.”

segunda-feira, dezembro 10, 2012

Insanitas




Estamos vivos, estamos compreendeendo e quase até que escrevendo.
A Terra é uma esfera e aí esta a forma perfeita de Gaya. Tudo volta sempre ao mesmo ponto.
E aquele passo a pinelidade vai configurando o próximo passo que vai em direção a sanidade.
Estamos voltando, aos poucos vencendo a inércia de um tonelada na cabeça.
Como meu complemento costumava dizer: "- Somos fortes, doces e indestrutíveis desde que juntos.
E por quatro meses de sua ausência e nunca nos separamos.
Um brinde a falta que você me faz.
Saúde !


Caio R.
O Absurdo